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O cabide de empregos e a administração municipal
11-03-2007
O que é que nós podemos fazer?
O Clique Mairiporã, durante a semana, publicou a lista completa dos 176 nomeados pelo prefeito Toninho Aiacyda para os cargos em comissão, chamados “de confiança”. A lista tem o nome e os vencimentos dos nomeados (Clique aqui para ver a lista.).
O assunto veio à baila no dia 28 de fevereiro, durante a audiência pública de prestação de contas do governo municipal, depois que o vereador Gusto indagou ao secretário-adjunto da Administração Municipal (foto acima), Rui Marcelo de Freitas (foto acima), sobre os salários recebidos pela filha e pelo genro do prefeito Toninho Aiacyda. Segundo o vereador, o genro do prefeito recebe o dobro do que outros funcionários nomeados para igual cargo, sem gratificações por participação em comissões internas da Prefeitura Municipal. O vereador disse que é inexplicável o pagamento de maiores salários neste caso.
No meio da discussão, o vereador Valdecir do Mak (foto acima) falou que pediria à Câmara Municipal a apreciação de um projeto de lei-complementar, de sua autoria, que proíbe a contratação de parentes de prefeito, vice-prefeito e vereador. E na semana passada, uma matéria do Clique Mairiporã mostrando que os salários do prefeito, somados aos salários dos seus parentes empregados no governo do município, somarão mais de um milhão e quatrocentos mil reais ao final do mandato, e a possibilidade de uma lei, para coibir tal fato, fizeram com que a casa caísse.
Assunto proibido
O assunto virou tabu na sessão da última terça-feira (06). Valdecir roeu a corda e não pediu a discussão do projeto; o Sargento Lopes (foto acima), que tinha manifestado apoio, silenciou e todos os outros vereadores nem tocaram no assunto. No mesmo dia, informações desencontradas diziam que o site seria processado, que a prefeitura iria tirar o site do ar e que os funcionários que tiveram os nomes e os salários publicados moveriam ação por danos morais contra o Clique Mairiporã.
O Clique Mairiporã é um site de informação que se propõe a intermediar o diálogo da sociedade com os órgãos públicos. Nós apuramos e ilustramos os fatos. A lista divulgada é oficial. É a mesma lista apresentada pelo secretário-adjunto, Rui Marcelo, aos vereadores durante a audiência pública e o projeto de lei-complementar também é um documento público.
Os funcionários não têm nada a esconder. São todos dignos, foram legalmente nomeados e estão exercendo o trabalho concreta e corretamente. Mas ocupam um cargo público, sujeito, portanto, ao controle social. Está lá, definido na Constituição Federal, que o exercício do controle social é possível e desejável. O que está errado é a prática da nomeação de parentes. Isso é patrimonialismo, é uso da máquina pública para proveito pessoal, é nepotismo.
Quem é que está certo?
É fácil entender o problema. O prefeito e os vereadores de Mairiporã acham certo nomear parentes. Nós e outros cidadãos achamos que isso é abominável e que deveria ser proibido por lei. Justiça seja feita, o próprio vereador Valdecir do Mak, também deve acreditar porque foi ele que apresentou o projeto.
São duas visões diferentes sobre o mesmo assunto no meio da sociedade. É o debate de um assunto importante que deve ser sanado por uma lei municipal. Que a lei defina se é permitido ou não ao prefeito, vice-prefeito e vereador, nomear parentes para o governo municipal. Pronto. Acabou-se o problema.
Mairiporã é uma cidade atrasada. Tão atrasada, que os representantes do povo acham que a nomeação de parentes é algo absolutamente normal. Os nossos representantes, eleitos com o nosso voto, acham que está certo e correto dar empregos para os parentes. Dizem que aqui sempre foi assim e que assim tem que continuar. É um direito deles o de pensar assim, como é um direito nosso manifestar nossa discordância e exigir uma lei para proibir tal prática.
Este é mais um tema que a cidade tem que debater. O jornalista Roberto Ramos, autor do livro com a história da cidade, noutro dia lembrou que em Mairiporã, os empregos na Prefeitura e na Câmara passam de pai para filho. E é verdade, aqui todo mundo acha que é normal o político arrumar emprego para parente.
Por ordem na casa
Na última terça-feira, faltou coragem aos vereadores. Todos se sentiram acuados porque quase todos têm parentes empregados na Câmara e na Prefeitura. Também faltou entendimento: se eles acham normal dar empregos para parentes, que eles ponham isso na lei, mas ponham um limite na farra.
Recusar ou esconder o debate é muito pior do que dar emprego para parente. Vocês são representantes do povo e têm procuração para fazer leis. Façam a lei. Digam que em Mairiporã é permitido contratar parente, mas ponham limite na farra. Digam na lei que em Mairiporã é permitido ao prefeito, ao vice e ao vereador nomear um parente para o cargo da administração pública e está resolvido o problema. Não tem crise, não tem trauma.
Só não pode fazer o papel de avestruz, que esconde a cabeça no chão, para disfarçar. O que não pode é, como se diz no ditado popular, enfiar o rabo entre as pernas e dizer que não tem nada com isso. A cidade espera que vocês pelo menos discutam o projeto do vereador Valdecir e se não querem acabar com o nepotismo, pelo menos coloquem um limite na farra de nomeação de parentes.
O que é que nós podemos fazer?
Durante a semana, o Clique Mairiporã bateu os recordes de audiência até agora registrados. Tivemos 690 novos acessos, motivados pela matéria do nepotismo e recebemos mais de 80 e-mails de e-leitores mostrando indignação e perguntando o que pode ser feito.
Bom, respostas exatas, nós não temos. Sabemos que a legislação prevê a participação popular no processo legislativo exatamente para que o povo possa ter iniciativa quando os políticos preferem a omissão.
2500 assinaturas para apresentar o projeto
A Constituição do Brasil prevê a iniciativa popular como um direito constitucional do cidadão. A iniciativa popular torna possível a um grupo de cidadãos apresentarem projetos de lei, para serem votados e eventualmente aprovados pelos deputados, senadores e, também pelos vereadores.
A Lei Orgânica do Município de Mairiporã garante aos cidadãos o direito de apresentar projetos de leis para a Câmara Municipal. O artigo 42, inciso V, da Lei Orgânica diz que compete aos cidadãos apresentarem projetos de lei (clique aqui para conhecer a Lei Orgânica de Mairiporã – que define o funcionamento da nossa cidade). Só precisa de um requerimento e da assinatura de 5% dos eleitores do município.
Veja que a Constituição do Brasil prevê 1% dos eleitores para apresentar projeto em Brasília. A nossa pede 5% e isso é mais um sinal do atraso da cabecinha dos políticos da cidade. Mesmo assim, 5% de eleitores é uma coisa relativamente fácil de se conseguir. A maior parte dos cidadãos não concorda com o cabide de emprego.
A decisão é sua
Você que está lendo essa matéria é adulto e tem consciência. Você acha que é certo os políticos terem o direito de nomear parentes na Prefeitura e na Câmara? Se você acha certo, tudo bem, é direito seu. Mas e você que não acha certo?
Nós temos o direito de debater, de lutar para que aquilo que nós achamos mais correto vire lei, vire a regra para todo mundo. Isso é civilidade, é democracia, é amadurecimento político, é desenvolvimento. Vamos fazer a nossa parte. Vamos fazer valer os nossos direitos. Somos cidadãos, pagamos impostos, temos o direito à Cidade.
Já publicamos um artigo do nosso e-leitor Laércio Magnoli, que é mestre em direito e advogado e manifestou apoio e se dispôs a colaborar com o nosso projeto de debater os problemas e o futuro da cidade, explicando direitinho o assunto. Clique aqui para ler o artigo do doutor Laércio.
Para a gente pensar
O Clique Mairiporã está disponibilizando um formulário prontinho para coletar as assinaturas. Baixe o arquivo, leia com atenção e decida se vale a pena ou não, tirar o bumbum da cadeira e fazer algo de útil pela nossa cidade. Vamos nos mobilizar? Vamos reivindicar os nossos direitos. Vamos apreender o caminho da organização social para controlar os políticos ou vamos ficar como cordeirinhos, do jeito que eles querem?
A decisão é sua, o prejuízo é nosso!
Clique aqui para baixar o arquivo da iniciativa popular.
Clique aqui para guardar a Constituição do Brasil. Cadastre este link no seu favoritos.
Clique aqui para conhecer e estudar a Lei Orgânica de Mairiporã.
Leia o modelo do requerimento e veja a nossa idéia:
Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Mairiporã
Nós, abaixo assinados e identificados, residentes, domiciliados e eleitoralmente registrados junto à 237º Zona Eleitoral do município e comarca de Mairiporã, Estado de São Paulo, solicitamos a apreciação e votação do projeto de lei complementar de autoria do vereador Valdecir do Mak, que proíbe a pratica do nepotismo no âmbito da Câmara e da Prefeitura Municipal de Mairiporã e dá outras providências.
Solicitamos, também, que a Câmara estude a possibilidade da inclusão na Lei Orgânica Municipal, de algum dispositivo que expresse a nossa não conformidade com o uso dos bens e da máquina pública municipal para proveito pessoal dos políticos desta cidade.
Tais solicitações têm base legal na Constituição da República do Brasil e na Lei Orgânica do Município de Mairiporã.
Termos em que, respeitosamente, pedidos e esperamos deferimento.
Mairiporã, 27 de março de 2007 – Dia em que, pela primeira vez na história desta cidade, o povo se mobilizou para fazer as próprias leis.
Nome:
Titulo Eleitoral nº.
Endereço:
Assinatura:
OBS: Para fazer cópias, ponha a petição na frente e vários quadros de assinatura no verso. O pedido e a assinatura têm que estar na mesma folha de papel e não necessariamente na mesma página. Pode um ser o verso do outro.
A idéia é a seguinte:
Todo mundo sai pegando assinatura dos eleitores que não concordam com o nepotismo. Fale com seus pais, parentes, filhos, vizinhos, colegas de escola, irmãos da igreja, colegas do ônibus e amigos que sejam eleitores aqui de Mairiporã. Tem que ser eleitor e no papel tem que ter o número do título. Pegue o maior número possível de assinaturas.
No dia 27 de março, feriado e dia do aniversário da cidade, nos reunimos numa reunião promovida pelo Clique Mairiporã e juntamos todas as assinaturas que a gente pegou. Para a Câmara votar, nós precisamos de 2500 assinaturas.
A gente aproveita um pouco as horas do feriado para lançar o movimento Abrace Mairiporã, para que a gente possa conversar sobre os problemas da cidade e mostrar que solução nós queremos dos políticos. Nós queremos participar.
Na primeira reunião da Câmara, após o 27 de março, no dia 3 de abril, a gente organiza uma comissão de moradores para entregar o documento para os vereadores. E aí, vamos ver como eles votam.
O que você acha desta idéia? Vamos participar. Deixe aqui a sua opinião |