Ponto de Vista

Reunião do Comtur debate temas importantes para a cidade




09-02-2007


Agora, a Sabesp promete parque na Represa


A reunião do Conselho Municipal de Turismo, Comtur, realizada ontem (08) no Clube de Campo de Mairiporã, foi proveitosa e bastante instrutiva. Muito  diferente da sessão da câmara na última terça-feira.Proveitosa porque tratou de temas importantes para o futuro da cidade e instrutiva porque aponta algumas deficiências que precisam ser sanadas para aprofundar o amadurecimento político da sociedade e para dar mais eficácia às decisões do conselho.

Participaram da reunião as seguintes entidades: Lions e Rotary Club; Associação para o Desenvolvimento Turístico (Adtur); Associação de Amigos da Terra Preta; Instituto Latino Americano de Desenvolvimento Sustentável (ILADS); Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Mairiporã (ACIAM) e Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Mairiporã. O poder público estava representado pelo secretário municipal de Meio Ambiente e Agricultura, Jonpeter Glaeser e por delegados da Secretaria da Educação e dos outros conselhos municipais de Segurança e de Meio-Ambiente (Conseg e Condema).

Sabesp promete parque na Represa

A reunião começou com a exposição do engenheiro Carlos Roberto Dardis, gerente da Divisão de Gestão de Recursos Hídricos, da Sabesp, que falou sobre o plano que pretende recuperar, disciplinar e adequar o uso dos mananciais, reservatório e canal, no trecho entre a Ponte da Santa Inês e barragem das Sete Quedas. Este projeto consiste na implantação de linear de parques, com equipamentos modulares voltados  para o lazer, a prática esportiva e o  uso comercial. É o popularmente chamado projeto de aproveitamento turístico da represa.

Dardis informou que o projeto foi definido no plano estratégico da empresa que já contratou, por R$ 280 mil, a realização de um pré-diagnóstico para a sistematização de informações que fundamentarão o projeto final. A alocação de recursos, a licitação do projeto definitivo e das obras para sua implantação  deverão ocorrer numa segunda etapa, sem datas informadas pela empresa.

Praças e Jardins

Na segunda parte da reunião o conselheiro Francisco Amigó apresentou várias sugestões de usos e aproveitamentos de áreas públicas para o desenvolvimento turístico e, depois, os presentes assistiram a exposição de um projeto de qualificação do espaço urbano desenvolvido na vizinha Franco da Rocha e uma discussão sobre o projeto Adote uma Praça para embelezamento da cidade de Mairiporã.

Mairiporã precisa ter uma visão estratégica

O mais instrutivo da reunião foi uma fala do engenheiro da Sabesp quando informou que o plano foi uma decisão da alta direção da Sabesp no seu nível estratégico. E esta é uma das dimensões do atraso da nossa cidade.

Há muitos anos, as organizações de ponta, sejam elas públicas ou privadas, organizam-se nos níveis operacionais, gerencias e estratégicos. A moderna teoria geral da administração (TGA) ensina que no mundo atual o nível estratégico é fundamental.


Voltando ao passado

A decisão de se construir o Sistema Cantareira há trinta anos passados, foi uma decisão estratégica do Governo do Estado de São Paulo numa época de autoritarismo e sem debates na sociedade. Com tudo de bom e com tudo de ruim que a represa pode ter provado ao município, uma verdade tem que ser dita e lembrada.

O que a Sabesp fez, foi entrar na nossa casa, sem pedir ordem, sem conversar com ninguém; rasgar a casa pelo meio, quebrar as paredes, separar para si os melhores cômodos da casa; definir novas regras de funcionamento para a residência e mostrar quem é que manda. A cidade não foi consultada, não foi preparada para as novas exigências, nem estruturada para enfrentar os desafios ou se aproveitar das novas oportunidades que lhe foram impostas.

O plano estratégico do Governo do Estado se impôs sobre a frágil aldeia pitoresca. E nesses trinta anos que se passaram a cidade ainda continua sem rumo, sem uma visão estratégica de longo prazo.

São Paulo, matas e águas

Já falamos aqui que a nossa cidade vira as costas para o rio. Somos uma das pouquíssimas cidades do mundo que tem o luxo de ser atravessada por um rio, de águas cristalinas, a vinte minutos do maior centro urbano do país, e não sabemos o que fazer com isso. Falta ao município uma visão estratégica.

Nós não temos, mas a Sabesp – uma empresa de forte presença do capital privado, que passou por várias tentativas de privatização nos últimos tempos -, tem e tem muita. Ela sabe que água, energia e clima são os assuntos estratégicos do milênio. Ela sabe que o lazer é uma das atividades econômicas que mais se expandem no mundo. E ela sabe que o fornecimento de água e  os serviços de esgotamento sanitários são investimentos negativos, que ao longo do tempo se transformam em fontes eternas de receitas.

Será que nós, enquanto uma cidade, estamos nos preparando adequadamente para a renovação deste contrato ou da definição dos usos da represa?  Será que vamos permitir, mais uma vez, a “imposição”, de fora para dentro e de cima para baixo de intervenções sem a consideração da nossa opinião, dos nossos anseios e dos nossos projetos para o futuro?

Mairiporã está de novo na encruzilhada.


Veja o que já foi publicado sobre o assunto no Clique Mairiporã:

Marco regulatório do saneamento define termos para a renovação de contrato com a Sabesp

 

Prefeituras da região e Sabesp iniciam diálogo para a renovação dos contratos de concessão

 

Na Secretaria de Saneamento e Energia, prefeito mais uma vez cobra recursos e obras

 

Assista ao vídeo com o diálogo entre o prefeito Toninho Aiacyda e o superintendente de negócios da SABESP, eng. José Júlio Fernandes.Clique aqui.

Veja as fotos dos logradouros da SABESP.Clique aqui!

Clique aqui para ler atentamente o contrato firmado entre a Prefeitura Municipal e a Sabesp 

Veja as declarações do superintendente da SABESP.Clique aqui.


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