Todo
mundo sabe que os governos brasileiros sempre fizeram fantásticas
administrações para si e suas famílias. O filho do atual presidente enriqueceu
da noite para o dia; não por causa do governo, claro. A genialidade explodiu
num certo momento. Quércia foi capa da revista Veja em função de sua riqueza;
Newton Cardoso também mereceu destaque pela riqueza. A maioria dos
prefeitos começa pobre e termina rica. Obviedade maior não existe de que com o
salário que recebe.
Existem
várias características comuns aos gestores brasileiros: a corrupção
generalizada, de preferência do modo mais dissimulado possível. O emprego de
parentes ou de amigos em cargos comissionados, em detrimento de profissionais,
de técnicos. A mentira deslavada, sem nenhuma responsabilidade com o provável,
com a razoabilidade. Além da perpetuação dos problemas sem solução, essas
desculpas vêm sempre acompanhadas de que as falhas serão investigadas. Mas a
culpa é sempre atribuída aos governos anteriores, como nunca antes neste país,
ou às vítimas, como ocorre sempre quando culpam as pessoas pelas casas
arrastadas pelas enchentes, por construírem à beira de córregos, com toda
ênfase típica de quem tem amnésia plena, pois esquecem que o dever de proibir a
construção irregular é deles mesmos, administradores públicos.
Mas é
da mentira reiterada que se pretende colocar aqui. Chove desde que o mundo é
mundo. Pois, o “raio” da natureza foi a culpada pelo apagão que paralisou 18
estados e atingiu mais de 60 milhões de pessoas. Eis a versão como resposta
dada pelo governo ao seu povo. Ninguém se preocupou que essa colocação não
tinha o menor cabimento, posição colocada por especialista. Se o sistema
elétrico brasileiro continuar paralisando 168 estados devido às quedas de
raios, é melhor começar a incentivar o uso do lampião e dispensar as campanhas
para economia de energia. Por si, a natureza se encarrega disso. Nem vou entrar
no mérito de, 15 dias antes, a pré-candidata à presidência ter dado total
garantia de que não haveria apagão. Eis um posicionamento que deve ser guardado
para comparação, caso seja eleita. Aqui estaria o modo governo federal de
administrar.
Em São
Paulo, três vigas de milhares de toneladas voaram pelos ares, antes da
colocação definitiva de uma ponte do Rodoanel Apesar do risco, teria sido pior
se caísse após a liberação da pista. O governador foi menos patético ao afirmar
que houve falha. Só faltava negar falha, com milhares de toneladas destruindo
carros e três pessoas feridas. Mas o governador de São Paulo precisa acompanhar
mais de perto suas obras, especialmente quanto à segurança, vez que em janeiro
de 2007, sete pessoas perderam suas vidas, engolidas pela famosa cratera do
Metrô. Pergunte se existiu alguém responsabilizado até hoje. Taí um grande
problema nacional. As tragédias se repetem muito por que ninguém é
responsabilizado e apenado pelos seus erros. Nisso, quando escreveu sobre o
apagão na Folha de São Paulo de 15 de novembro deste ano, o escritor Carlos
Heitor Cony foi muito feliz ao afirmar que “a culpa – ou a causa – pode ter
sido da natureza, mas a responsabilidade é mesmo do governo”.