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Contrato de saneamento: Até quando as autoridades municipais vão continuar dormindo em berço esplendido?
13-10-2008
Negociações
com a Sabesp exigem transparência
Vamos
direto
aos fatos. O contrato de concessão dos serviços de água e esgotamento
sanitário, que o município mantém com a Sabesp, expira em novembro. Mas
a manifestação da vontade e das intenções do município, como poder
concedente e contratante, em relação à Sabesp, como contratada, ainda
não foi divulgada pela prefeitura, que estava até agora preocupada com
a reeleição.
Não
se trata de um assunto qualquer. A concessão dos serviços de saneamento tem muitas
dimensões. É um contrato definitivo, que envolve muitas responsabilidades, além
da saúde dos cidadãos que habitam a
cidade; a relação do município com a Região Metropolitana e muitos milhões de
reais. Mesmo assim, com tanta importância, até o presente momento, poucas ações
foram desenvolvidas pelos poderes
públicos, Prefeitura e Câmara, para encaminhar o assunto.
Não
é a primeira vez que falamos sobre isso e vamos cobrar novamente. O que o prefeito
e os vereadores, que têm o poder legítimo de representar os cidadãos do
município, estão fazendo para preparar o
novo contrato de concessão dos serviços de saneamento? Será que estão dormindo
em berço esplendido ou aguardando o fim do contrato com a Sabesp para depois
dar uma desculpa esfarrapada e fazer mais uma vez tudo na pressa?
Saneamento
Básico Esta
matéria foi construída em várias partes: a) para mostrar a importância do tema, b) para apresentar
ao leitor as medidas que foram adotadas pelos poderes públicos e c) cobrar uma posição de transparência e
efetividade da Prefeitura e da Câmara para tratar do assunto.
É
desnecessário apontar a importância geral do assunto para as nossas vidas. Água
potável e esgotamento sanitário, embora sejam requisitos básicos da vida humana
e um direito da humanidade, são bens e serviços públicos que não fazem parte do
cotidianos de muitos brasileiros.
O
diagnóstico no setor mostra que aproximadamente metade da população - mais de
80 milhões de brasileiros - não é atendida por sistemas de esgoto e 45 milhões
de pessoas não têm acesso à água potável. 65% das internações hospitalares de
crianças de 0 a 5 anos são decorrências dessa situação.
Em
Mairiporã, os números também são trágicos. Apenas
46,11% das casas contam com infra-estrutura urbana adequada (na Região
Metropolitana são 86,74 e no Estado de São Paulo, 89,29); apenas 65% dos
moradores contam com serviços de abastecimento de água tratada (são 97,51% na Região Metropolitana e 97,38% para o
Estado de São Paulo) e apenas 30,73% dos domicílios tem o esgoto doméstico tratado (na Região
Metropolitana são 82,77% e no Estado de São Paulo, 85,72%). Os números são do
SEADE e foram publicados no Clique Mairiporã. Leia aqui.
Outro
ponto de importância do tema de forma específica ao território municipal é o
fato de que nosso município é recortado pelo Sistema Cantareira – da Sabesp
-, que provocou e ainda provoca grandes
impactos na vida do município.
A
Sabesp e o contrato
A
Sabesp - Companhia de
Saneamento Básico do Estado de São Paulo - é uma empresa de economia
mista, de capital aberto, que tem como principal acionista o Governo do Estado
de São Paulo e atua como concessionária de serviços sanitários municipais. Tem
800 unidades de produção e está presente em 367 dos mais de 500 municípios do
Estado de São Paulo.
Em
1978, o município de Mairiporã firmou contrato de concessão dos serviços de
água e esgoto para a Sabesp. O contrato tem duração de 30 anos e expira em
outubro de 2008.
Sobre
esse ponto, é bom lembrar que temos duas agendas com a Sabesp: Uma, do
município com uma empresa (ainda estatal, mas em vias de privatização) que
detém parte do território municipal, com excelentes pontos de atratividade
turística, e protegido por legislação
específica de interesse metropolitano. Outra, com uma empresa que presta
serviços de fornecimento de água tratada
e coleta e tratamento de esgoto sanitário.
Um
dos maiores erros da classe política dirigente é não ter percebido esta
diferença de agendas e ter tratado dos dois assuntos de forma separada,
preservando o interesse público e a autonomia municipal. Infelizmente, o atual prefeito,
está seguindo o mesmo caminho: o caminho do pires na mão, da dependência e da
solicitação de favores junto à Sabesp. Mairiporã precisa tratar desse assunto
com outra magnitude e exigir da Sabesp um comportamento de respeito aos
interesses do município.
Marco
Regulatório
Já
está em vigor no país, a Lei Federal nº 11.445/2007, conhecida como marco
regulatório do saneamento, que define regras para o setor e estabelece o
município como o ente, ou o poder
concedente dos serviços, que podem ser gerenciados de várias maneiras.
É
uma lei que defende os interesses sociais e a autonomia do município, vista
pelos especialistas como um avanço nos conceitos sobre o saneamento ambiental;
nas formas que estabelece para o planejamento, o controle e a gestão desses
serviços. É uma lei que obriga todos os municípios brasileiros a reverem seus
contratos de gestão que deverão ser atualizados a partir dos novos preceitos sobre
o assunto.
Um
ponto que merece destaque é o fato de que as receitas geradas pelos serviços de
água e esgoto proporcionam, ao longo do tempo, estrutura, equipamentos,
liquidez e rendas para a empresa que administra os serviços. Uma renda eterna.
E este é um ponto central apontado pelo Clique Mairiporã que o município tem
que ter atenção na hora em que for tratar do assunto. Mairiporã, que sempre
está reclamando da falta de recursos, não pode abrir mão dessas fontes de receita,
que hoje, por força do contrato em vigor, são transferidas à operadora Sabesp. De
qualquer forma, o marco regulatório concede poderes ao município para que
exerça sua autonomia sobre o assunto e é isso que estamos cobrando da
Prefeitura e da Câmara.
O
que foi feito
Até
o presente momento, a Prefeitura e a Câmara pouco fizeram para tratar do
assunto. Houve uma reunião no inicio do ano, promovida pelo Consórcio
Intermunicipal da Bacia do Juquery (Cinbaju), para conhecer e debater o marco
regulatório e outra reunião entre Prefeitura e Sabesp para iniciar as
tratativas da “renovação do contrato” com a Sabesp. Há, também, rumores que
indicam que no âmbito do Consórcio, integrado por Franco da Rocha, Caieiras,
Cajamar e Francisco Morato, além de Mairiporã, cresce a opinião de uma gestão compartilhada entre todos os
municípios da bacia.
De
concreto temos que o tempo está passando e ninguém, na Prefeitura ou na Câmara,
assumiu a tarefa de liderar o processo de negociação deste contrato.
Qual
será a posição do município de Mairiporã, em relação aos contratos de
saneamento? Vamos manter os termos do atual contrato? Vamos participar da
criação de uma empresa de gestão de caráter e âmbito regional? Vamos criar a
empresa municipal como foi a SAEM – Serviços de Água e Esgoto de Mairiporã, antes
da Sabesp?
As
perguntas são muitas. Todas com respostas que precisam ser solidificadas no
debate público e é isto que o Clique Mairiporã está querendo. A decisão que for
tomada é uma decisão perene, definitiva. Não há retorno.
Queremos
despertar a atenção das autoridades e dos cidadãos para a importância do
assunto, e não podemos nos permitir deixar essas decisões exclusivamente na mão
dos políticos.
Na
eleição passada, o prefeito trouxe como candidato a vice, o senhor Silvio Ranciaro,
apresentado à sociedade como um “homem da Sabesp”, mas ainda não ficou claro o
por quê desta escolha. Há rumores que apontam um eventual interesse da empresa
em construir um ambiente mais favorável na tratativa de renovação deste
contrato.
E
a sociedade tem o direito de exigir e de saber como é que estão sendo feitas
essas tratativas.
E
você? O que acha do assunto? Deixe seu comentário.
Veja o que foi publicado a respeito da Sabesp.Clique aqui.
Degradação do Manancial Cantareira: A morte anunciada
Sistema Cantareira em perigo
Matéria republicada:publicação original em 21/06/2007
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