Big Brother Brasil 10
05-03-2010
Big Brother Brasil 10
Esta semana gostaria de
escrever
sobre as promessas dos políticos, que repetirão como todo o tempo que
estão na
política; ou sobre a posição da maioria da imprensa ao condenar o uso
das
pulseirinhas indicativas do que o jovem está a fim, quase a justificar a
correção dos quatro rapazes ao estuprarem a jovem em Londrina; e optei
por
escrever sobre o décimo Big Brother Brasil, o já famoso BBB.
Inicialmente
existe a dificuldade em dissertar
sobre um vácuo, em termos do que se pretende com um reality show. Eles
começaram com o “No Limite”, com a característica principal o massacre
literal dos
participantes forçando a comerem coisas exóticas, forçando-se a boa
educação.
Olho cru de ovelha foi inesquecível e um dos menos graves. Testículo de
carneiro, outra preciosidade que marcará eternamente. Afora os maus
tratos
físicos. Era uma verdadeira tortura com disfarce de programa. A
grosseria ao
extremo cedeu, a superficialidade é da essência desse tipo de programa.
Não existe uma razão para a
escolha
dos candidatos e nem uma finalidade objetiva para o programa. Trancafiam
pessoas numa casa, cerceiam o acesso ao mundo externo, e passam à
transmissão
24h por dia a pilha em que cada um se transforma para o delírio geral da
nação.
Depois desse preparo,
passa-se à
exposição de bundas e seios, uma das marcas maiores da cultura nacional;
palavrões, sem corte, barracos, simulação ou sexo nos edredons. Tudo
normal se
não fosse vendido como algo importante, se não fosse comprado e
acompanhado
como relevante, com direito a torcida, apostas, entrevistas e
participação de
pessoas famosas. Estranho até as ausências da mais carnavalesca ministra
e do
governador-sambista.
Além desse conteúdo, o
mais comum e
que aumenta a audiência são as ações desleais, denominadas de “jogadas”,
quando
não passam de atitudes de quem, no mínimo, teve uma má formação. Jogar é
uma
coisa; ser desleal é outra.
Divulga-se o tamanho do
prêmio,
efetivamente estrondoso. Mas ninguém da imprensa analítica faz
comparação ao
tamanho da premiação e do tempo com o “Soletrando”, única seção de um
programa
que trata diretamente de educação. Na mesma proporção do marketing do
prêmio é
o silêncio sobre o montante arrecadado. Também não sai uma linha escrita
sobre
quanto rende cem milhões de ligações. Nem um palpite de matemáticos que
medem
as chances de acertar uma mega-sena.
Não assistir não exime
ninguém de
tomar conhecimento do programa. Todo saite que se abre na internet, vem a
composição do paredão, quem escapou e quem foi o defenestrado da semana.
Antes
da vitória do Dourado, a melhor, ou única coisa positiva desses realitys
shows
era a vitória dos jecas, daqueles que agiam com companheirismo,
compreensão e
civilidade. Agora, premiaram a grosseria a pretexto de que ele foi “ele
mesmo”,
como se isso não fosse básico, elementar, nada que merecesse premiação.
Mas
qualquer um que vencesse não acrescentaria nada, absolutamente nada, a
quem
quer que seja.
Mesmo esse show de nada
poderia ser
menos pior. Bastaria fazer algumas provas de conhecimento geral ou sobre
alguns
temas educativos. Uma disputa em jogo de dama ou xadrez teria ensinado a
muita
gente. Colocar algumas palavras para dizerem o significado, fazer algum
exercício de matemática. Essas questões poderiam diminuir a audiência,
mas
traria benefício. Algo de positivo é preciso trazer à população. Outro
probleminha, é que não vinha tarja com indicativo para qual idade era
apropriado. Isso a audiência da TV Globo explica.
Os realitys shows se
multiplicaram,
todos pagam prêmios muito altos, arrecadam centenas de milhões a mais,
tem uma
variedade imensa de mau gosto e quantidade de ligações comprova que o
brasileiro só participa demais do vazio.
Pedro Cardoso da Costa – Bel.
Direito
|