Assim não dá!
03-11-2009
Na foto vereadores Dú e Deivid, na menor o representante de finanças Marcelo Botelho
Vereadores
demonstram total despreparo para lidar com o orçamento municipal
Na terça-feira (27/10/09),
a Câmara de Mairiporã realizou a segunda e última audiência pública que deveria
publicizar e debater com a sociedade, a proposta de orçamento municipal apresentada
pelo prefeito para o ano de 2010. Não fez uma coisa nem outra e a sessão,
comandada pelo presidente da comissão interna de Finanças e Orçamento, vereador
Dú (PR), foi um fiasco total. Na audiência, os vereadores apenas conseguiram
demonstrar que não sabem o que é uma audiência pública e comprovar que não
estão capacitados para lidar com finanças públicas.
Audiência Pública para debater
o orçamento existe para publicizar (dar publicidade, tornar pública) a proposta
apresentada pelo prefeito e para ouvir a sociedade sobre seus reclamos a partir
dessa proposta. Mas na Câmara de
Mairiporã a incapacidade é tão grande que eles fazem tudo ao contrário.
Audiência pública para eles é convocar os secretários e membros do governo para
responder as dúvidas dos vereadores, sem informar e sem debater a proposta com
a sociedade. Um descaso total.
Pior que isso é ver que os
vereadores, e neste caso, particularmente os que integram a Comissão de Orçamento e
Finanças, a quem compete produzir um
relatório prévio informando aos demais vereadores sobre o conteúdo da
proposta, não estão capacitados para
debater o assunto. Nem a legislação pertinente (basicamente a Lei 4320, de
março de 1964, e Lei Complementar 101, de maio de 2000, chamada lei de
responsabilidade fiscal) eles conhecem.
O presidente da comissão, vereador Dú, por exemplo, demonstrou particular
e total despreparo ao debater os problemas do Hospital de Mairiporã. Ele não sabe
nada sobre o Sistema Único de Saúde
(SUS), muito menos a diferença
que existe entre o repasse de recursos federais ligados ao Programa de Atenção
Básica (PAB) e aos outros programas municipais e federais de subvenção à
entidades e organizações filantrópicas e assistenciais. E o detalhe: a Câmara e
todos os gabinetes de vereadores contam com um conjunto de assessores que custa
aproximadamente R$ 3 milhões por ano ao
contribuinte.
Dirão os vereadores
que a audiência foi um fracasso porque o
“povo” não participa , o que é verdade. O problema é que eles, os vereadores, são pagos não para apontar os problemas e sim para encontrar as soluções. Será que eles já pararam para pensar por que
o “povo” não participa? Ou será que eles preferem manter as coisas exatamente
como são para que o “povo” continue sem participar?
Já dissemos em outras
oportunidades que a Câmara de Mairiporã é muito fraca e essa talvez seja uma
boa pista para entender a indiferença da maioria da população. São tantas as
paspalhices, que a maioria prefere simplesmente ignorar a ação dos
vereadores.
O fato é que os
vereadores, com algumas raras exceções, só existem para prestar favores aos
eleitores em troca de voto, como se Mairiporã ainda vivesse no começo do século
passado, na época em que o mandonismo dos coronéis imperava. É uma ação
auto-referida, onde impera a lógica essencialmente eleitoral: os vereadores
competem entre si, para favorecer apenas os seus feudos (para dizer currais)
eleitorais. E que se dane o resto!
É fácil comprovar que a
Câmara é fraca, basta somar o voto que os dez vereadores receberam na eleição
do ano passado e comparar com o número total de eleitores do município. Os dez
vereadores juntos obtiveram um total de 9351 votos para um total de aproximadamente
50 mil eleitores. 80% dos eleitores de Mairiporã não votaram em nenhum desses
vereadores que têm uma taxa de representação de menos de 20% do total de
eleitores. Isso deve ser explicado a partir da baixa qualidade do quadro de
vereadores e pela pratica do assistencialismo e do favor para seus eleitores ao
invés de uma ação mais universalista em benefício do conjunto da cidade.
É triste ver que Mairiporã ainda está presa a praticas
políticas do passado, obsoletas, que não levam a nada. Enquanto muitos lugares,
inclusive aqui ao redor, já encontraram caminhos para a construção de cidades
mais justas, democráticas e sustentáveis, Mairiporã caminha no sentido inverso,
da incapacidade, do atraso, do personalismo e da burrice. O mínimo que nós poderíamos esperar desses
vereadores é um pouco de seriedade com as questões fundamentais para a nossa
cidade. Mas nem para isso, eles têm capacidade.
O episódio mais absurdo da
risível audiência pública foi protagonizado pelo presidente da Câmara, Valdecir
do Mak (PTB), pelo secretário de Finanças, Marcelo Botelho e representante da
secretaria de educação, Edilene Lubianqui. O presidente quis saber por que a
Lei Orçamentária do ano que vem prevê menos recursos para o pagamento de
salários aos professores em relação ao que já foi pago durante o corrente ano que ainda não terminou. O secretário municipal de finanças nem soube
explicar e foi a assessora da secretaria da educação que apontou os motivos. Segundo
ela, mais de um terço dos professores da rede pedem licença durante o ano e a Secretaria
de Educação tem que contratar professores substitutos para as aulas eventuais,
aumentando os gastos com salários. Mas segundo ela, o pagamento e os encargos
trabalhistas com os substitutos é um valor que não pode ser previsto e que o
orçamento apenas leva em conta o que seria gasto com os professores efetivos em
pleno exercício da atividade. Pasmem! Só isso já valeria uma CEI para entender
a bagunça que está se transformando a gestão financeira municipal, mas ninguém
abriu a boca para questionar os argumentos da assessora.
Eles não sabem, primeiro,
que a Lei Orçamentária é feita justamente para evidenciar os gastos e não para
omitir informações. Segundo, que o que a assessora falou, apenas comprova que está ocorrendo um grande absenteísmo de
professores na rede pública de Mairiporã, provocando um gasto extra de
aproximadamente R$ 1,4 milhões por ano sem que isso fique evidenciado para a
Câmara e para o conjunto da sociedade e sem que isso seja tratado como um sério
problema de gestão. E terceiro, é que
talvez isso ajude a explicar a queda nos indicadores de qualidade da educação
básica de Mairiporã que despencaram na última avaliação do MEC, caindo de 4,7
em 2004, para 4,0 em 2008. E ao invés de indagar sobre essa situação, todos os
vereadores preferiram o silencio. O silencio da conveniência somado ao silencio
da incapacidade.
Palmas para nossos
vereadores. Eles são demais!
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