Por: Carlos E. Santos
22-07-2009
Senhores Diretores e Dirigentes da OHL,
Sou morador de Mairiporã, trabalhador comum, sem nenhum
vínculo político/partidário e também não sou membro de qualquer associação
da Região da Cantareira ou de Proteção Ambiental.
Não há uma certeza e também não estamos fazendo nenhuma
insinuação, acusação ou seja lá o que for. O fato é que em uma reunião
de Mobilização Popular contra a Instalação do Pedágio no Km 66 da Rodovia
Fernão Dias, ocorrida ontem à noite, dois Senhores totalmente estranhos
à nossa comunidade, um deles muito bem trajado, estiveram presentes, sem
se pronunciarem e mal se identificando quando solicitados. A nossa impressão
é que os mesmos possam ser representantes da OHL, ou de outras entidades
interessadas nesse assunto, o que para nós não constitui nenhum problema.
Na hipótese de ser um fato real, achamos que foi até bom
que V.Sas tenham sentido no calor de nossas discussões, o tamanho de nossa
indignação e perplexidade com a devastação que a construção dessa praça
de pedágio está causando. Isso porque desde de pequenos, morando nessa
área de preservação ambiental, fomos educados de forma a encarar qualquer
dano ou agressão à natureza ou ao meio ambiente como algo terrivelmente
errado e merecedor de castigo e punição. Esse inclusive é um dos motivos
de a área urbana de nosso município ser pequena e distribuida em pequenos
bairros, pois as restrições legais não permitem a expansão da cidade nessas
áreas protegidas. Isso nos deixa de certa forma honrados, pois somos uma
espécie de guardiões de uma área natural, pertencente ao Sistema Cantareira,
responsável pelo fornecimento de água a 8 Milhões de pessoas na Grande
São Paulo.
Nessa situação nossos corações ficam apertados a cada
arvore derrubada, a cada pedaço das encostas e morros que estão vindo
abaixo, a todo o alvoroço ambiental e, porque não dizer, sentimental que
estão provocando com essa obra; há um grito preso na garganta de cada habitante,
de cada criança, de nós pais, que não temos como explicar aos nossos
filhos que toda essa tradição e vocação de nossa cidade não vale nada quando se
fala de interesses econômicos, cifras e números. Quando as decisões
são tomadas em gabinetes fechados ou em hotéis de luxo, sem a participação
popular.
A nossa decepção e apreensão são muito grandes,
estamos recorrendo a todos os meios de que dispomos, consultando autoridades
Municipais, Estaduais, Federais e Religiosas. Essa última aliás foi
a única que se dispos a nos ouvir e apoiar de imediato sem rodeios, sem
ofícios, sem agendamentos, sem protocolos, sem carimbos,
sem caras feias e sem distinção de crença. Agradeço
de coração ao Padre Pio da Paróquia Nossa Senhora do Desterro, Igreja
Matriz de Mairiporã por essa benção.
A cidade de Mairiporã é pequena e pacata mas a nossa gente
é grande em sua honradez e dignidade, trabalha com ardor de sol a sol e
merece ser respeitada. Nessa vida atribulada que a nossa população leva,
esperávamos que as autoridades constituidas, em todos os níveis, fossem
nos defender da ameaça que esse pedágio representa, não só para a nossa
cidade como também para toda a Grande São Paulo, com a instalação dessa
praça no Km 66, área de preservação de mananciais, quando o local correto
é o Km 54,7 na divisa com Atibaia.
Sabemos que pedágio no Brasil é um mal necessário, pois
quem deveria fazer a sua obrigação não o faz. Portanto só queremos que
a OHL respeite o nosso território e não tente nos impor, guela abaixo,
esse verdadeiro pedágio urbano, bem no nosso quintal, que deverá impactar
nos preços dos produtos que consumimos, nas tarifas de onibus, combustíveis
e no de transito que será desviado para fuga do pedágio e direcionado para
as nossas pequenas ruas e estradas, cortando áreas de preservação permanente.
Isso não vamos permitir, pela nossa história, em respeito às nossas tradições,
pelo direito de transitar livremente em uma área que nós e nossos antepassados
utilizamos e protegemos há mais de 140 anos.
Não vou entrar no mérito do cumprimento das leis ambientais,
até porque não sou o mais indicado para tanto. O que pretendo é convidá-los
publicamente para uma conversa com representantes da sociedade cível organizada
de Mairiporã sobre esse assunto, que envolve o futuro de nossa cidade,
de toda a região metropolitana de São Paulo e também da OHL. Sabemos que
V.Sas são ganhadores legítimos da licitação da concessão da Rodovia Fernão
Dias mas, repito, que o local correto para instalação dessa praça seja
respeitado.
A nossa proposta é que essa reunião aconteça na próxima
3a feira, dia 28 de Julho de 2009, em horário e local à sua escolha.
Em nome da Justiça, que ainda acredito existir nesse País,
peço respeitosamente que informem a sua disponibilidade.
Atenciosamente,
Carlos E. Santos - carlos.e.santos@gm.com
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