Opinião



Nota zero pelo local.


15-06-2008


O governo municipal está prometendo construir uma nova Rodoviária Municipal no terreno ao lado do Supermercado Quality, entre a Avenida Tabelião Passarella e o Espaço Viário Mário Covas. Como diz o título, parabéns  pela nova rodoviária; nota zero pelo local.

Na semana passada, a reportagem do Clique Mairiporã foi até lá para conversar com os comerciantes do entorno e levantar opiniões sobre o assunto. Pudemos perceber que a desinformação é geral e que muitos deles nem sabiam que a Prefeitura está com o projeto pronto para construir a nova rodoviária. Isso prova que o atual governo comete o grande erro de não dialogar com a sociedade já que, neste caso, nem os maiores interessados, em tese, conheciam sobre o assunto.

Um  governo democrático, progressista e moderno conversa com a sociedade antes de definir obras e serviços. Infelizmente não é assim que os atuais governantes municipais procedem e o caso da nova rodoviária torna-se exemplar: A Prefeitura está com o projeto pronto, diz que tem os recursos para a obra e que ela só depende da liberação do terreno de pouco mais de 5 mil metros quadrados, que é propriedade da Sabesp. Fez tudo isso e não falou com ninguém.

No passado

Nos anos 70, a Prefeitura de Mairiporã decidiu construir a atual Estação Rodoviária na Praça do Rosário – no centro da cidade. Os tempos eram outros; os métodos são os mesmos. A diferença é que,  nos anos 70, a ditadura militar proibia a discussão política pública dos problemas da cidade; hoje a Constituição manda, mas os políticos do atraso não obedecem.
No entanto, mesmo naquela época, algumas pessoas externaram a discordância com a decisão da Prefeitura. O principal argumento dessas pessoas era mostrar o erro de se construir  uma estação rodoviária no centro da cidade. Essas pessoas diziam que o “elefante branco” construído sobre a centenária Igreja do Rosário seria um grande transtorno para a cidade.
Estão aí os resultados. Mairiporã está entupida, o comércio central está estagnado e a cidade toda emporcalhada pela sujeira que se origina, em grande parte, na atual Estação Rodoviária Municipal que concentra gente de todos os lados e cantos porque a cidade não tem sistema de transporte público.

Anos depois, no final dos anos 80, a Prefeitura já tentou construir uma nova rodoviária no terreno ao lado do Supermercado Quality. A Prefeitura começou a obra, que é o esqueleto branco que existe até hoje no local; depois descobriram que o terreno era da Sabesp; a Sabesp embargou a obra; o assunto foi parar na Justiça e a obra ficou sem acabar. É bom, às vezes, recordar do jeito político de Mairiporã de ser. Tudo de qualquer jeito.É mais um exemplo do atraso da classe política dirigente que se mostra incapaz de resolver os problemas da cidade.

Pelo Centro Cultural

Em nossa opinião, fazer outra rodoviária ao lado do Quality é mudar o monstrengo de lugar; é repetir a mesma estupidez de 30 anos passados. E é por isso que estamos lançando uma campanha pela discussão pública da destinação de uso daquele local. Por quê?
Porque lá deveria ser construído algo mais nobre e para uso perene da sociedade. Lá não é um terreno qualquer. E além disso, uma rodoviária, por melhor que seja, é um equipamento que tem vida útil,  decretada no próprio nascimento. Ou será que o projeto do prefeito não prevê a vida útil do equipamento rodoviária?


Centro Cultural


Dentro do próprio governo municipal, em passado recente, a secretária da Educação, Cultura e Esportes, Leila Ravázio, formulou, apresentou e discutiu com a sociedade, a idéia da construção de um centro cultural, naquele local. Porque o prefeito Toninho Aiacyda enterrou, também, esta idéia? 
Naquela ocasião, no começo da gestão da secretaria, Leila Ravázio apresentou dois projetos para a construção de um centro cultural integrado ao Espaço Mário Covas. Um deles, no estilo clássico de teatro italiano, com foyer e auditório e, o outro, com aparência moderna, de telhados em várias águas e com espaços internos modulares.

Ainda é preciso lembrar que o prefeito trem em mãos o projeto do maestro Denis Rosa, da Igreja Assembléia de Deus, Ministério do Belém, para a implantação de uma orquestra (Cique aqui e veja a matéria), que, se sair do papel, não terá um auditório para se apresentar.Será que Cultura não é uma prioridade para o governo municipal?
Não seria mais lógico investir o dinheiro público para usar toda a área do Espaço Mário Covas com atividades de cultura e lazer?

Matéria republicada. Primeira publicação em 12 de junho de 2007.

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