Opinião



Mairiporã a caminho dos 120 anos


31-03-2008


Foi um longo mês com muitas atividades organizadas pelas autoridades, mais para tentar convencer ao povo de que a cidade tem um bom governo do que para comemorar. Foi um mês de antecipação de propaganda política com farta de distribuição de material publicitário, fogos de artifício, placas e mais placas pagas com o dinheiro público e muitas festas. Tudo para tentar reverter o grande desgaste do atual prefeito junto à opinião pública.

Mas será que a nossa cidade tem mesmo algo para comemorar? Será que os resultados apresentados pelo atual governo são mesmo dignos de comemoração?

Nós do Clique Mairiporã somos muito críticos em relação ao atual governo municipal. Em nossa opinião é um governo incompetente, que não tem projetos para a cidade, que não tomou as necessárias medidas para ampliar a capacidade de gestão e de realização da máquina administrativa e que não foi capaz de promover nenhuma política de desenvolvimento e de geração de renda para reverter o atraso social e econômico da nossa cidade. Em resumo, é um governo fraco que decepcionou a grande maioria dos eleitores que nele confiou.

Vejamos com mais detalhes alguns pontos:

1. Asfalto e urbanização


O atual governo encheu a cidade de propaganda dizendo que realizou 105 mil metros quadrados de asfalto como se isso fosse uma obra fabulosa, digna de elogios quando na verdade é mais uma piada da atual administração.

A Fundação SEADE, órgão responsável pelos indicadores sócio-econômicos  do Governo do Estado de São Paulo, mostra que quase 50% dos moradores de Mairiporã habitam em condições inadequadas de infra-estrutura, sem água, sem esgoto, sem calçamento, em suma, em condições impróprias de urbanização. Se a Prefeitura fosse séria, ela mostraria o quanto o seu esforço para asfaltar as ruas representou para a redução desse déficit.

A infeliz verdade é que todo o esforço do governo para realizar as obras que foram anunciadas, e temos que reconhecer que o governo fez grande esforço para isso, na verdade, pouco significa em termos de efetividade na resolução do problema de condições inadequadas de 
urbanização que aflige metade da população.

Além disso, o esforço e os métodos de trabalho do prefeito e de sua equipe são absolutamente injustos. Nos asfaltos que foram festejados há asfalto de graça por meio de obras do Governo de São Paulo; há asfaltos pagos pelos moradores por meio do Plano Comunitário de Obras e há concretagens clandestinas, sem projeto técnico que desvalorizam os imóveis da região. Há também obras feitas pela metade para beneficiar apoiadores políticos das autoridades, como no Jardim Odorico, onde uma rua sem moradores foi asfaltada; ou no Jardim Sandra onde apenas metade da rua foi asfaltada para beneficiar um amigo do prefeito.

Qual é o critério de justiça ou de igualdade adotado pela atual administração para a aplicação dos recursos públicos? Quem decide onde o asfalto é de graça, é de baixa qualidade ou é pago pelo contribuinte?

2. Educação casca de ovo

Na educação acontece a mesma coisa. Não há critérios de justiça nem compromisso das autoridades com a qualidade do ensino oferecido pelo setor público municipal. Nos últimos três anos, a Prefeitura gastou 
mais de R$ 50 milhões no ensino público e o resultado em termos do que realmente interessa que é a qualidade do ensino oferecido, deixa muito a desejar. O Clique Mairiporã desafia as autoridades municipais e, em especial, as da educação para apresentarem as notas obtidas pelas escolas municipais no SEAB, que é o Sistema de Avaliação da Educação Básica, uma espécie de indicador construído pelo Ministério da Educação e Cultura para avaliar a qualidade do ensino que é oferecido com recursos públicos. A educação em Mairiporã é uma 
vergonha em termos de qualidade. É muito dinheiro usado para reformas e novas construções para um resultado de formação educacional pífio.

Além disso, a bagunça é uma constante em termos de administração. O Projeto Navega São Paulo, que só atendeu a 1,5% dos alunos matriculados na rede, naufragou por incompetência dos administradores que perderam prazos para a renovação do convênio. O Transporte escolar foi durante o atual governo prejudicado por questões e impasses administrativos.

3. Desenvolvimento

Mairiporã é a segunda cidade mais pobre da região. Em termos de PIB, nossa cidade perde apenas para o município de Francisco Morato. Recentemente, a Secretaria de Segurança Pública divulgou informações que apontam Mairiporã como o município com o maior índice de homicídios por mil habitantes. É bom lembrar que os políticos de plantão nada fizeram para reverter esse quadro de empobrecimento da cidade e, muito pelo contrário, correram para arrumar interpretações fantasiosas para mostrar que os defuntos encontrados mortos não eram da cidade o que, na pior das hipóteses corrobora com a tese de completo abandono da nossa cidade.

Nesse quesito, é bom lembrar que duas políticas, a política de saneamento e de mobilidade, Sabesp e Empresa de Transportes, estão com contratos vencidos ou a vencer e a Prefeitura não teve capacidade de formular e debater propostas para reverter a situação de caos que está estabelecida de nesses dois setores que são estratégicos para o desenvolvimento e para a geração de renda no município.

Aqui foram elencados apenas alguns motivos que desmentem a enganosa e cara propaganda da Prefeitura. Não é de parabéns que a nossa cidade precisa e, pelo contrário, precisa de coragem para mudar. O fato é que 
Mairiporã completou 119 anos sem projetos, sem perspectivas de futuro, empobrecida, assustada com a violência e desiludida com a cara-de-pau dos políticos que acham que estão abafando. Para finalizar, é bom lembrar de um dos mais consagrados poemas da literatura nacional, do mineiro Drummond, que assim diz: A festa acabou...a luz apagou... o povo sumiu...a noite esfriou... e agora, José?

E agora, José, é assim que queremos chegar aos 120 anos?

Deixe seu comentário ou sua opinião: ([1] Comentário(s))


Voltar | Home