Por: José Eduardo Hanna
16-02-2008
Cidadão Político
Interessante
como em ano de eleições como esse 2008, existe uma aura de politização entre as
pessoas. Todos falam com desenvoltura sobre suas posições, demonstram
surpreendente, ainda que superficial, conhecimento acerca das características de pessoas e lugares. Fazem-se
participantes de um processo – tido como democrático – que elege seus líderes e
aloca homens para gerir seu quintal e seu dinheiro.
Bom seria
se essa aparente familiaridade com a política, seus meandros e personagens se refletisse
em uma atitude consciente, em que prevalecesse o sentimento de igualdade ante a
Democracia e de Respeito à Lei.
Muito bom
seria se cada um desses cidadãos que em maior ou menor grau, direta ou
indiretamente vão sofrer ou se beneficiar com as decisões de seus eleitos,
pudessem realmente refletir sobre as funções do poder político. Poder que
costuma ser visto como dotado de valor em si, como uma posição a partir da qual
seu detentor, muitas das vezes por se sentir acima da Lei e por ser indiferente
aos mínimos valores éticos e morais e às expectativas sociais, pensa que pode
tudo e trabalha intensamente pelos seus próprios interesses.
Bom mesmo
seria se não houvesse entre políticos e cidadãos esse abissal distanciamento
ético que dificulta que cidadãos aceitem as razões usadas pelos políticos para
justificar muitas de suas ações.
Tratamos
aqui de uma relação desarmoniosa, acendrada, em geral pela má formação cultural
e política das pessoas, pela mediocridade ética, desinteresse pela causa
pública, despreparo pessoal e desonestidade de políticos filiados a partidos
ideologicamente confusos e desnorteados, incapazes de estabelecer metas
políticas voltadas para a sociedade e para o povo. Incapazes de elaborar um
plano de governo e adequar seus quadros para execução. Partidos igualmente
incapazes de gerir suas próprias finanças com retidão e transparência, quanto
de administrar as diferentes áreas técnicas de um governo, quando nele,
colocando seus pares em cargos públicos com altos rendimentos, a base de
conchavos e trocas de favores espúrios, a fim de amealhar cacife político,
apenas visando seus projetos de PODER.
A
manutenção e permanência dessa prática em nossos meios políticos, distorcem o
que de mais nobre há na função política democrática: a de auxiliar uma
comunidade a modelar a si mesma de forma justa e igualitária.
Bom será
quando esta aparente capacidade de entendimento político for traduzida em ação
honesta pelos homens públicos e discernimento pelo cidadão comum. Ambos
detentores de sua parcele de responsabilidade pelo atual estado das coisas no
Brasil. É preciso que os governantes – eleitos - assumam sua responsabilidade
para com o povo, principalmente permitindo e criando condições de educação e
embasamento humano e moral, únicos caminhos capazes de corrigir o rumo do
Pensamento e conseqüentemente das ações.
Por: José
Eduardo Hanna
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