Governo Municipal traz investimentos para a cidade
06-07-2007
Estrada
do Rio Acima e obras de saneamento são importantes para o desenvolvimento local
mas é pouco frente as necessidades estruturais da cidade
A
população e as autoridades municipais comemoraram as notícias divulgadas
durante a semana e que apontam a
liberação de aproximadamente R$ 12 milhões para a recuperação da Estrada do Rio
Acima e para a realização de obras de saneamento. Tais recursos integram o
Programa Estadual de Recuperação de Estradas Vicinais, do governo Serra, e o Plano de Aceleração Econômica, do governo
Lula, e são importantes para o desenvolvimento local.
Houve um
certo exagero na divulgação das notícias por parte das autoridades municipais.
Alguns veículos de comunicação chegaram a falar que a liberação desses recursos
era uma redenção do governo Aiacyda ou uma espécie de certificado de bom
governo.
É bom que
os recursos tenham vindo, parabéns aos vereadores e ao prefeito que realizaram
esforços para esta conquista, mas o assunto merece alguns resgates importantes
e uma análise mais profunda.
Começamos
por lembrar que o Clique Mairiporã já publicou matérias expondo a situação de
penúria das finanças municipais que, em 2007, se traduz num orçamento de aproximadamente R$ 75 milhões em termos
absolutos ou, em termos relativos, de
menos de R$ 10 por habitante – uma das causas da pobreza e do atraso do
município.
Nessas
matérias, nós dissemos que o atual governo, já vencidos 5/8 do período do
mandato, seguiu o mesmo modelo adotado pelos antecessores nos últimos trinta
anos, sem a capacidade de equacionar o problema e de ampliar as receitas do
município. A política do governo Aiacyda foi a mesma dos seus antecessores, de
aumentar o IPTU, majorar as taxas e andar correndo por aí, com o pires e o
chapéu na mão pedindo a liberação de recursos nas esferas estadual e federal.
É
lamentável ver um governo no seu ocaso,
comemorando resultados da mendicância institucional ao mesmo tempo em que vira
as costas para ações efetivas de ampliação das receitas e da autonomia
municipal. Como exemplo, lembramos que os R$ 12 milhões festejados pelo
prefeito, são moeda de troco para as receitas que poderia ser originadas dos
contratos de concessão dos serviços de água e esgoto (hoje com a Sabesp) ou de
transportes públicos (hoje com a ETM).
A pobreza do município
Do
orçamento anual, de R$ 75 milhões, 25% vão para aos investimentos e custeio da
Educação; outros 45% para o pagamento de salários e encargos trabalhistas com a
Folha de pagamentos; outros 10% estão comprometidos com a gestão tripartite
(município, estado e união) do Sistema Único de Saúde (SUS); outros de 7 a 10%
estão comprometidos para o pagamento das dívidas do município. Em linhas
gerais, e de fato, a verdade é que o município de Mairiporã conta com
aproximadamente R$ 500 mil por mês para todos os investimentos da Prefeitura
sem contar os de Educação e, em parte, os da Saúde.
Outro
agravante é que nos últimos trinta e particularmente nos últimos quinze anos,
os prefeitos locais desenvolveram a cultura de prestar contas de suas ações
mostrando a evolução nominal do orçamento, escondendo da população e da
sociedade a queda vertiginosa da receita municipal por habitante. A cada ano
que passa, nossa cidade fica mais pobre, sem que vereadores e prefeitos tenham
a competência e a coragem de enfrentar o problema de forma técnica, gerencial e
sustentável.
O PSDB
O
primeiro ponto a ser destacado é que o PSDB, partido ao qual pertencem o
prefeito e o governador Serra e que governa o Estado de São Paulo desde 1990,
tem uma grande dívida com a cidade. Os
últimos investimentos importantes do Estado de São Paulo no município de
Mairiporã aconteceram nos anos 80 durante os governos de Montoro e Quércia, ambos,
naquela época, no PMDB.
Nos anos
80, o governo do Estado investiu no Estádio e no Ginásio Municipal de Esportes;
na construção da Delegacia e da Cadeia de Mairiporã; na construção das UBS do
Centro e da Terra Preta; nas construção das escolas estaduais dos bairros
Fernão Dias, Estância Santo Antonio,
Vila Machado e outras; alem do asfaltamento das estradas do Cinco Lagos,
do Mato Dentro, da Roseira e da própria Estrada do Rio Acima.
A Estrada do Rio Acima
Os
recursos que foram liberados pelo governo do Estado de São Paulo para o
terceiro asfaltamento da Estrada do Rio Acima (leia a matéria do Clique Mairiporã sobre o assunto) integram
um Programa Estadual para a recuperação das estradas vicinais que foram construídas
a partir de 1982, quando o atual governador era secretário estadual de
Planejamento. A
pergunta é:
Se nos
anos 80, o governo asfaltou pelo menos quatro estradas vicinais em Mairiporã,
porque, agora, só está liberando recursos para a recuperação de uma delas?
Será que
os vereadores e o prefeito fizeram esta pergunta as autoridades estaduais?
Será que
também solicitaram a recuperação das estradas do Cinco Lagos e da Roseira? Será que solicitaram o asfaltamento das
Estradas do Capim Branco até o entroncamento de Estrada Nazaré Paulista à
Guarulhos?
Qual é o
planejamento que o município tem para a qualificação e manutenção de nossa
extensa malha vicinal?
Nós
elogiamos os esforços do governo municipal para a liberação dos recursos da
estrada do Rio acima, mas temos que reconhecer que é muito pouco frente às
necessidades e carências do município e chamamos a atenção do leitor para outro
ponto de observação.
O Clique
Mairiporã já disse que a região do Rio Acima - O Caminho das Águas - deveria
ser o principal eixo de investimentos do município visando a expansão da
cidade, o desenvolvimento econômico e turístico municipal. A região do Rio
Acima, além da estrada, merece a atenção das autoridades para a implantação de
um corredor de ampliação de espaços e de desenvolvimento.
Saneamento
O outro
recurso obtido nas últimas semanas pelo município junto ao PAC, do Governo
Federal, será usado para obras de saneamento básico. O município precisa,
segundo fontes oficiais, de R$ 13 milhões de investimentos na área de
esgotamento sanitário para minimamente diminuir o déficit no setor em
comparação com outros municípios da Região Metropolitana.
Os R$ 7,5
milhões conseguidos junto ao governo Lula são importantes, mas reforçam a tese
já apresentada pelo Clique Mairiporã de que o contrato com a Sabesp precisa ser
revisto e redesenhado (veja a matéria, clique aqui) para o bem e para a ampliação
da autonomia municipal.
O dinheiro
conseguido pelo governo municipal vai dos cofres da União direto para o cofre
da Sabesp. As obras que serão realizadas certamente irão beneficiar muita
gente, mas a grande notícia que as autoridades municipais poderiam dar ao
cidadão local seria a decisão do município, de assumir a gestão dos serviços de
água e esgotamento sanitário para controlar uma eterna fonte de receitas e
acabar de uma vez por todas com a política do pires na mão pedindo recursos e
migalhas para a cidade.
Conclusão
Seria ótimo
e importante que o prefeito e a sua comitiva lessem essas observações. Os
recursos conseguidos são importantes, mas é muito pouco perto do que a cidade
realmente precisa. E não estamos falando apenas em recursos financeiros.
Estamos falando da coragem e da capacidade de construir uma política de
preservação e ampliação da autonomia municipal. O contrato com a Sabesp e para
a concessão dos serviços de transporte coletivo, que estão vencendo ou
vencidos, deveriam ser a principal preocupação dos atuais governantes (foto
acima).
O
dinheiro conseguido é troco perto dos recursos que o atual governo municipal
está deixando de buscar.A cidade quer autonomia, não migalhas.
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