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João Hélio Salgado fala do seu trabalho na administração do Hospital
20-03-2008
A nova "cara" do Hospital Nossa Senhora do Desterro
A reportagem do Clique Mairiporã conversou, durante a semana, com João Hélio
Salgado que desde o início do mês de janeiro é o administrador-geral, indicado
pela Associação Beneficente Nossa Senhora do Desterro, mantenedora do Hospital
Mairiporã que está sob intervenção municipal há sete anos. Salgado, que é presidente
da Congregação das Associações de Moradores da Serra da Cantareira – CASC, explica que não é administrador com
especialização na saúde, mas que acredita que pequenas medidas de caráter
gerencial e administrativo podem melhorar os níveis de satisfação do usuário
com os serviços oferecidos no hospital.
O final da entrevista foi acompanhado,
também, pelo senhor José Leonardo Protestato, atual presidente da Associação
Beneficente Nossa Senhora do Desterro.
Como é o hospital?
Atualmente o hospital tem 47 leitos e
atende aproximadamente 400 pessoas
diariamente sendo que a maior parte procura atendimento ambulatorial no serviço
de pronto-atendimento. A organização conta com 112 funcionários com um corpo
clínico integrado por aproximadamente 40 médicos que se revezam em sistema de
plantão. Há 10 médicos em cada turno de trabalho.
A Associação
João Salgado explica que aceitou o desafio
de administrar o hospital por solicitação dos atuais membros da Associação
Nossa Senhora do Desterro que está em processo de reorganização. Segundo ele,
um dos maiores desafios dos novos membros foi o de regularizar a documentação
que esteve irregular nos últimos 10 anos. Assumiu o cargo de
administrador-geral na primeira semana do mês de janeiro e por negociação entre
os membros da associação e a Prefeitura Municipal, acabou sendo indicado,
também, como interventor já que o hospital está sob intervenção municipal há
sete anos.
Primeiras medidas
Assim que tomou posse no cargo, João
Salgado deu início a um programa de recuperação administrativa por meio do
desenvolvimento de 58 ações. Dentre elas, ele destaca a implantação de
refeitório para os médicos e funcionários; a realização de pequenas obras de
manutenção e reforma das instalações; a mudança do horário de visitas aos
pacientes internados; a uniformização do quadro de funcionários e a organização
do estacionamento. O administrador disse que está realizando essas intervenções
com o apoio da sociedade, de empresários e outras associações, como a CASC que
fez a doação de materiais de obras e de demolição que estão sendo usados para
melhorar as condições físicas do hospital.
Numa segunda etapa de intervenção, o novo
administrador do hospital espera implementar medidas de caráter administrativo,
como o controle de acesso automatizado, feito por cartão eletrônico, para
garantir melhores condições de trabalho aos profissionais e segurança aos
usuários. Explica que algumas simples medidas, como a mudança dos horários e
dos processos de agendamento, acabaram com as enormes filas que existiam para
marcação de exames de ultrassonografia, por exemplo.
Reciclagem
O administrador estuda formas de implantar
no hospital uma unidade receptora de lixo seco reciclável, papel, papelão,
alumínio, plástico e vidro, para serem vendidos proporcionando renda adicional
à associação mantenedora. “Se os usuários e pacientes colaborarem, teremos uma
cidade mais limpa e uma boa renda extra que será revertida em benefício do
hospital”, acredita ele.
Fim da intervenção
O administrador é otimista em relação ao
trabalho que está sendo desenvolvido pelos novos integrantes da Associação
Beneficente Nossa Senhora do Desterro e acredita que em pouco tempo deve acabar
a intervenção municipal no Hospital. Explica que em breve toda a documentação
estará regularizada e as dívidas equacionadas.
Dívidas
O interventor explica que entidade tem R$
1,1 milhões de dívidas, na maior parte de impostos e contribuições
previdenciárias e um passivo trabalhista (ações de ex-funcionários na Justiça
do Trabalho) de aproximadamente R$ 7 milhões.
Segundo ele, no passado a dívida era de R$
500 mil, depois passou para R$ 1,1 milhões e depois chegou a R$ 1,8. No mês
passado, com a liberação de mais R$ 700 mil por parte da
Prefeitura Municipal, a dívida voltou ao patamar de R$ 1,1 milhões. Quanto ao
restante do passivo, ele explica que uma única ação judicial reivindica R$ 4
milhões de indenizações.
Ampliação
O administrador explica que o hospital
conta com 47 leitos e um teto de pagamentos do SUS de R$ 212 mil por mês. A
Associação, segundo ele, pretende viabilizar, em pouco tempo, a ampliação da
capacidade de atendimento para 80 leitos que elevaria o teto financeiro de
repasses SUS conferindo mais viabilidade financeira ao Hospital. O interventor
acredita que as coisas estão funcionando melhor no Hospital e espera que as
pequenas medidas de caráter administrativo que estão sendo tomadas possam no
curto prazo melhorar as condições de trabalho e o grau de satisfação dos
usuários com os serviços prestados.
A
pedido do entrevistado, não publicamos sua foto, pois para ele, o mais
importante são as ações que estão sendo tomadas, não a imagem dos que
estão à frente de tudo isso.
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